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Entrevista com Reata

Seção: Bandas
Seção: Bandas

Membros (4): Guilherme Fabretti (Vocal/Guitarra base), Leonardo Akira (Guitarra solo), Alexandre Lélis (Baixo) e Adriano "Mika" (Batera).
Estilo: Rock.
Data de fundação: Janeiro de 2009.

 

Os membros Gui e Léo da banda Reata nos concederam uma entrevista em maio de 2009. Eles já tem uma EP Demo com seis músicas, que você pode ouvir no MySpace deles (links no final da entrevista). Confira agora a entrevista dessa banda de puro rock!


H&A: Como foi o começo da banda?

Gui: Cara, eu e o Léo, a gente tocou um tempo juntos há uns 3 anos atrás no Catedral, em bandas diferentes - eu tocava no Oxidus e ele tocava na St. Blue. Naquele dia a gente trocou uma idéia, e daí pegamos os contatos pela internet - MSN, Orkut, essas coisas. Daí eu tava na banda Oxidus, eu tava fazendo carreira, tava com um disco, tocando em shows grandes e tal, a banda tava acontecendo. Mas aí os caras ficaram meio que em confusão sobre o que queriam da vida deles, se queriam ser músicos ou não, e eu acabei saindo. Nisso, o Léo tava tocando na O2.

Léo: Isso, eu tava na St. Blue e comecei a tocar na O2 também, mas era aquela coisa também, ninguém queria nada a sério e tal, e acabei saindo também. Aí nós dois estávamos meio perdidos, começamos a trocar idéia e tal. Isso foi no final de 2008.

H&A: Então foi aí que vocês oficialmente começaram como Reata?

Gui: No final de 2008, a gente se uniu pra fazer o primeiro ensaio pra ver o que ia fazer. A gente já tava conversando há um tempo... eu fiquei 1 ano e pouco sem banda, e estávamos conversando "vamos fazer um negócio sério né, a gente já toca a tanto tempo, não vamos deixar morrer", principalmente porque eu tava vivendo num meio, ele também, e foi um choque pra gente, tipo, "sair". Porque em 2006, eu pelo menos, fiz uns 70 shows, era todo final de semana, então a rotina tava muito forte. A gente tinha um produtor, empresário, algumas coisas... já abrimos um show do Jota Quest no Estância, abrimos show do Tihuana em Indaiatuba, tocamos com Hateen. Enfim, a gente queria fazer um negócio mais sério. A gente se uniu, fez um primeiro ensaio, tinha algumas músicas, e a gente gravou alguma coisa pra ver no que ia dar - e gravamos "Estou de Partida" e "Se Lembra". Aí a gente falou "meu, vamo fazer um EP". E desde janeiro desse ano a gente começou a gravar, e se programar pra fazer a turnê e toda a divulgação.

H&A: Onde foi gravado?

Gui: Gravamos no "Acústica" de São Caetano, é bom cara, o estúdio. A gente gravou ao vivo, porque estávamos com pressa, tipo um ensaio mesmo... e passamos a voz depois, e fechamos o EP, com 6 músicas. A gente vai fazer numa embalagem chamada "Digipack", que é de papelão que abre-e-fecha, e vamos prensar umas 1000 cópias de cara e já sair pra tocar.

Reata
Reata

H&A: Tudo material independente?

Gui: A gente prefere por enquanto ficar independente, porque qualquer coisa que aparecer agora é bocada. A gente sabe que algumas coisas a gente precisa construir sozinho antes.

H&A: E vocês vão distribuir ou vender?

Gui: Cara, a gente pretende distribuir e vender... a gente não sabe ainda direito como que vai funcionar isso daí, a gente vai sentindo e vendo o que vai acontecer. Nosso maior interesse agora é divulgar, porque a banda é nova.

H&A: Então vocês não são uma banda de covers, vocês querem criar o seu estilo, com músicas próprias?

Léo: A intenção mesmo é fazer músicas próprias; a gente tá trabalhando pra isso, em cima disso que a gente vai até o fim. Cover é mais pra "brincadeira", ou pra ganhar dinheiro na noite mesmo... mas o objetivo mesmo é música própria.

Gui: É... o objetivo é entrar no mercado underground. É o mercado hoje que funciona. Vou dar uns exemplos de bandas, tipo Fake Number, 35Ml, algumas bandas que estão aí nesse roteiro que a gente quer seguir.

H&A: Qual a origem do nome Reata?

Gui: Reata é porque a gente tava querendo recomeçar.

Léo: Como a gente colocou no release, reata que vem do verbo reatar; uma banda que se juntou denovo.

Gui: Na real é que cada um tinha uma banda e cada um já tava de saco cheio, quase desistido, e a gente falou "meu, vamo recomeçar". Aí pensando num nome que daria essa intenção que a gente queria, chegou em Reata. E é um nome fácil, que tem um significado real pra gente, porque a gente se uniu pra continuar aquilo que a gente não tava conseguindo fazer antes.

H&A: Quem compõe as músicas?

Gui: Olha cara, às vezes eu chego com a letra e melodia mas a banda junta tudo e faz um mistão...

Léo: ...na verdade o Guilherme já chega com a letra mais ou menos pronta e com uma melodia, uma base bem simples, e no ensaio ele vai mostrando e a gente vai colocando em cima.

Gui: Vai evoluindo e a gente vai colocando a característica de cada um. O objetivo é deixar a cara de todo mundo, não é falar "Ah o cara que faz a música é..."; essa música é do Reata e é isso aí.

H&A: O que vocês buscam transmitir nas letras?

logo oficial da banda
logo oficial da banda

Gui: Cara, pelo que eu senti nesse disco, tem músicas que falam de recomeço: um cara de uma outra banda falou que "Estou de Partida" é uma música que fala de "liberdade, fazer o que está afim", outro disse que é uma música que fala de "Continuar"... eu acredito que é uma música de liberdade e fazer o que você está afim, independente do que os outros pensem ou não. Tem músicas que falam de relacionamento: "Em Qualquer Lugar" e "Se Lembra" falam da importância que a outra pessoa tem. A música "Naquela Hora" fala daquela pessoa que está querendo se encontrar na vida, ficar sozinha um tempo, querendo encontrar o quê que preenche ela. E tem a "Não Olhe Mais" que fala de esquecer o passado e viver agora.

H&A: Todos os membros da banda já tocam há muito tempo?

Gui: Sim... a gente já tocou pra caramba, já fez muito.

Léo: Se for contar o que cada um toca, assim, o instrumento, dá uns 8 anos, por aí.

Gui: Uns 8 anos e muito show cara. Eu acho que já fiz uns 200 shows ao todo, nesses 6 anos que fiquei na outra banda. O Léo também já teve muita banda, teve muita experiência. A experiência do Léo é maior que a minha em questão de relacionamentos com bandas diferentes. Já eu não me relacionei com muita banda, mas fiz muito show. O Léo tem essa bagagem de já ter relacionamentos com várias bandas então ele tem essa maturidade de saber quem é quem, quem que vai dar errado, quem que não vai, entendeu. Minha visão já é mais de carreira, meu pensamento já foi mais de vamos fazer um nome, uma carreira, um disco...

H&A: No momento, vocês estão no começo, ainda meio anônimos. Mas futuramente, se ficarem famosos, essa pergunta que vou fazer vai ser uma bem difícil pra vocês responderem agora, caso alguém no futuro leia isso: o que vocês acham da pirataria? O que vocês achariam se alguém distribuísse o EP de vocês num blog, por exemplo?

Léo: É... essa é realmente uma pergunta difícil de responder, porque ainda não cheguei num nível em que isso me prejudicou (risos).

Gui: Cara, hoje em dia a melhor coisa que tem é divulgar o som. Independente da maneira que for. Eu acho que hoje em dia não tem como as bandas lutarem contra a pirataria, eu acho que o mercado ainda não criou um mecanismo pra lutar contra a pirataria. Eu acredito que não prejudique, que pirataria pra gente, hoje, não prejudica em nada, a gente quer que as pessoas escutem nossa música, quanto mais pessoas escutarem melhor... então, hoje a gente não tem essa preocupação. Talvez no futuro a gente tenha um pouco de preocupação, mas como falei, o mercado ainda não criou um meio de se defender disso. E as bandas que tem gravadora, acho que estão conseguindo sobreviver através de shows, de venda de música pro celular, ou até, por mais que seja pouco, por venda de música pela internet, enfim...

Léo: Esse negócio de pirataria tem um lado bom e ruim; por um lado você tem um acesso à cultura mais fácil, né. Porém, tem o outro lado que está prejudicando quem faz. Então é uma balança ruim...

H&A: Vocês que já tem bastante experiência com shows, que dicas vocês dariam pra bandas que estão começando, quanto a como se portar numa passagem de som, etc?

Léo: Ah, ficar sem noção berrando lá... eu já vi muita gente passando o vocal, o técnico de som fala pra você passar o vocal que você vai cantar, como na música né, a melodia mesmo. Mas não, o cara começa a berrar, falar, fazer várias coisas sem noção, que não adianta nada passar som assim. Guitarrista também, o cara pode só timbrar a guitarra, de acordo com o amplificador que tá lá, e depois ele aumenta só o volume, que não vai prejudicar em nada, o que importa mais é o timbre.

Gui: É isso aí que o Léo falou. Você tem que ser objetivo, passar realmente o que você vai tocar, não fazer firula, tem baterista que gosta de ficar tocando coisa que não tem nada a ver... principalmente se já tiver público lá. Tem que ser objetivo: chegou no palco, cada um passa o seu, escuta o que o cara tá falando - "só guitarra, só baixo, só voz" - beleza, fechou e vai embora. Tem que ser objetivo porque senão você acaba criando uma certa antipatia com o técnico de som e ele vai acabar melando seu som então não rola. Isso acontece muito... acontece demais.

H&A: Vocês tem uma preferência de lugares pra tocar?

Léo: A gente tá começando... então a gente vai em qualquer lugar que puder tocar. Surgiu uma vaga ali, a gente tá entrando... mas dentro desse mercado de hoje em dia, do underground.

H&A: Como vocês definem o som de vocês? Pop-rock?

Gui: Eu acho assim... o nosso som não é pop-rock. Nossa banda tem uma pegada muito rock, a gente não usa violão em nada, a gente tenta fazer um negócio bem simples, direto, sem muita frescura. É drive na guitarra e batera bem rápida. Todos da banda tem influência de rock, apesar de gostarem de coisas mais leves. Mas é só você escutar o som que você diz que é rock. A banda é rock. O objetivo não é ser pop-rock.

H&A: Vocês acham que tem como viver de rock no mercado brasileiro?

Gui: Eu acho que o mercado está muito limitado. Antigamente, naquela época do Raimundos, tinha umas 10 gravadoras e cada uma com 10 bandas de rock. Hoje em dia tem 3 gravadoras cada uma com 3 bandas de rock. Então o espaço tá bem limitado. Eu acho assim, hoje em dia o caminho é independente, nós queremos seguir um caminho independente, a gente vai fazer um negócio na forma que der pra fazer, a gente sabe da restrição das gravadoras, o espaço está bem curto... mas nosso objetivo é entrar pra uma gravadora, e eu acredito que sempre vai haver espaço pro rock, independente se maior ou menor. Se não houver gravadora, a gente vai continuar independente.


 
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