História e Arte da Estância Turística de Ribeirão Pires - São Paulo
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A Fascinante História de Ribeirão Pires - SP

Ribeirão Pires, como o município emancipado que conhecemos hoje, foi oficialmente fundado em 30 de dezembro de 1953. Seu aniversário, no entanto, é comemorado a partir de 19 de março de 1954, feriado do padroeiro São José, tendo em 2012 portanto apenas 58 anos de existência, mas sua história começa há muito mais tempo, nada menos que logo depois do descobrimento do Brasil em 1500! Os registros históricos disso tudo são naturalmente escassos por isso vamos procurar dar uma idéia do desenvolvimento das etapas e dos motivos que levaram nossa cidade a existir.

Quando uma nova terra, ainda mais um continente inteiro de dimensões ainda desconhecidas é descoberto, sempre há muitas expedições que são enviadas pelo país que a descobriu, no caso nosso país irmão Portugal, para conhecer o lugar, seus habitantes e avaliar suas riquezas e potencial de colonização, sem falar no ato de simplesmente se fazer presente e atuante na nova terra antes que outros o façam, legitimando assim sua reivindicação à Coroa de Portugal, conjugando a vigilância e proteção indispensáveis ao desenvolvimento dos assentamentos e desbravamento das regiões inexploradas.

Nessa época estava ainda em vigor o Tratado de Tordesilhas firmado em 1494 (um ano e meio depois de Cristóvão Colombo descobrir a América) entre Portugal e a Espanha que tinha a finalidade de definir a partilha do chamado Novo Mundo entre eles, porém esse tratado não era reconhecido pela França e pela Holanda que eram sempre uma ameaça aos assentamentos dos portugueses. Por esse motivo, os portugueses precisavam fortificar o litoral contra qualquer ataque e intensificar a colonização das costas brasileiras. Numa dessas expedições que aconteceu em 1512, um certo João Ramalho, deixando família em Portugal, veio à procura do que considerava ser uma Ilha do Paraíso no Brasil. Os galeões e naus daquele tempo tinham muito trabalho para vencer as grandes distâncias, as tempestades e doenças à bordo, prover alimentação e água potável além de vencer todos os problemas de navegação, como a orientação pelas estrelas com mapas precários, os ventos e as fortes correntes marítimas. Tendo vencido todas estas etapas, a nau em que viajava João Ramalho não resistiu a talvez mais uma tempestade e naufragou ao aqui chegar em 1513, próximo da costa do litoral do estado de São Paulo, mais precisamente, perto do que viria a ser um dia a cidade de São Vicente (1532), a mais antiga do Brasil.

Nosso ilustre personagem sobreviveu e foi resgatado pelos índios Guaianazes que dominavam aquela região costeira, um povo pacífico, mas valente que acabou tratando-o com grande estima, permitindo que ele não só vivesse entre eles como se casasse eventualmente com a filha do chefe, a índia Potira (Bartira para os Portugueses) com quem teve nove filhos além de outros com outras índias conforme permitiam os costumes indígenas. Na verdade, nem o termo “índios” é correto pois deriva do engano de Cristóvão Colombo que pensou ter chegado às Índias quando descobriu a América, sendo mais certo chamá-los de indígenas ou nativos, porém para nosso entendimento aqui ficaremos com o termo já popular de “índios”. Assim, os Guaianazes, liderados pelo poderoso Cacique Tibiriçá, (de onde emprestamos o nome da rodovia SP-31 que hoje liga Ribeirão Pires à via Anchieta) na verdade viviam longe do litoral, num planalto mais ao norte, uma região chamada por eles de Piratininga (ou local onde se secam os peixes, na língua tupi-guarani), mas faziam incursões periódicas para lá em certas épocas do ano a fim de colher os frutos do mar que encontrassem e pescar. O motivo de contarmos algo sobre João Ramalho, é que por ter ele chegado ao Brasil antes de muitos dos principais exploradores e ter se juntado a uma das mais poderosas nações indígenas da época no estado de São Paulo, isso ajudou para que não houvesse um maior confronto entre índios e portugueses, favorecendo uma convivência um pouco mais pacífica.

Mesmo assim, João Ramalho foi um personagem controverso, e pelas condições e costumes da época podemos deduzir que ele possa ter vindo ao Brasil como um degredado, abandonado na costa que soube aproveitar as oportunidades que surgiam e usar sua influente e intrépida personalidade para conseguir o que queria, seja como for, sua contribuição como líder, intermediário e desbravador deixaram, sem dúvida, marcas indeléveis na História do Brasil. Mais tarde, com a chegada de Martim Afonso de Souza 19 anos depois (designado pela Coroa Portuguesa para assumir as tarefas de proteção e assentamento que mencionamos antes), com sua frota de impressionar os indígenas acostumados somente às suas pirogas, ou pequenas canoas, um confronto de grandes proporções onde diversas tribos se mobilizaram para enfrentar o invasor foi amenizado, pelo menos num primeiro momento, iniciando-se assim os primeiros movimentos colonizadores da nova terra. A história de João Ramalho seguiu então seu curso que vai se afastando da nossa história principal da cidade de Ribeirão Pires, ficando como último destaque da sua atuação, a eventual contribuição para a fundação da vila de Santo André em 1553, hoje nossa cidade vizinha e o uso de sua influência para estabelecer com seus inúmeros filhos um vasto e rentável comércio de pau-brasil e víveres com os conterrâneos, inclusive com a captura e venda de escravos indígenas de forma cruel e brutal.

papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis)
papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis)

Com esse início mais pacífico entre o convívio dos povos, Martim Afonso começou a longa tarefa de colonização, fundou São Vicente, distribuiu terras, nomeou cargos e delegou tarefas para as diferentes funções que o povoado precisava, com vistas a não ficar somente no litoral, mas principalmente, desbravar o interior do Novo Mundo tão elogiado por João Ramalho. Agora, isso era uma empreitada das mais difíceis a partir do litoral, pois demandava subir uma cadeia de montanhas quase impenetráveis: a enorme Serra do Mar com mais de 700m de altura que está entre o planalto de Piratininga (hoje São Paulo e a região onde está nossa cidade) e o oceano Atlântico! Uma região de mil perigos naturais como a própria floresta emaranhada, os caminhos abertos a duras penas metro a metro, as terríveis alturas e quedas inesperadas, os animais peçonhentos e insetos desconhecidos, a lama, doenças pelo caminho, o enorme cansaço além das eventuais emboscadas de outras tribos indígenas (haviam também índios das tribos Tupiniquins, Tamoios e Muiramomis – também conhecidos como Pés Largos – na região e estima-se sem certeza absoluta que as línguas faladas pelos índios do Brasil como um todo chegava a cerca de 300 nessa época, sendo que hoje podem não restar mais do que a metade disso, todas no entanto pertenciam a duas famílias principais: o tupi-guarani e o cariri). As longas caminhadas montanha acima, sem se saber onde se estava indo exatamente, a necessidade de transportar comida e ferramentas em lombos de burro dão uma idéia do que essas pessoas passaram para abrir caminho para o que mais tarde seria o Caminho do Mar e a Via Anchieta que usamos hoje.



 
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