História e Arte da Estância Turística de Ribeirão Pires - São Paulo
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Entrevista com The Diones

Seção: Bandas
Seção: Bandas

Membros: Felipe Toguchi (Guitarra e Vocais), Gustavo Wornunk (Baixo e Vocais), Rodrigo Vazquez (Guitarra Base e Vocais) e Gabriel Nagayassu (Bateria).
Data de Formação: Junho de 2004.
Estilo: Rock’n’Roll!

 

Entrevista concedida em Outubro de 2009 com todos os integrantes da banda.


H&A: Como foi o começo da banda? Como que iniciou esse interesse pela música?

show em Navegantes, Santa Catarina, janeiro de 2005
show em Navegantes, Santa Catarina, janeiro de 2005

Toguchi: Interesse pela música sempre houve. Aos 7 anos eu comecei tocando e gostando, e aí eu tocava em igreja católica, em casamentos, etc. Eu e o Wornunk estamos desde o começo.

Wornunk: Tinha uma feira cultural, de ciências e tal, e a gente sempre tentava tocar pra se livrar de  apresentar algo. Em 2004 o tema era reciclagem, e a gente não queria fazer, então montamos uma banda especialmente pra isso. A gente fez um cover de Born to be Wild (Steppenwolf) e Paranoid (Black Sabbath) com letras sobre reciclagem, tipo assim: "vaamos reciclar!" (risos). Então a banda era só para isso, só para ganhar nota.

H&A: Qual era a formação de vocês naquela época?

Wornunk: Era eu, o Toguchi, o Lou (mais sobre ele aqui), e o Thiago, que é um amigo nosso que não toca mais. E a gente trazia amigos para ganhar nota, juntar todo mundo, e depois disso a gente curtiu e pensamos "vamos continuar".

Toguchi: Daí evoluiu, e a gente começou a tocar em garagem...

Wornunk: E passava o pessoal na rua e ficava olhando. Passavam uns lixeiros e ficavam curtindo! (risos)

Toguchi: Teve uma vez que um carteiro parou, teve um cara que tava fazendo cooper e foi parando para ouvir o som; e foi assim, só na zuera. Daí teve uma fase em que ficou o meu irmão na bateria, mas não deu muito certo, depois veio o Noel, e foi mudando. Já teve tecladista até... depois veio o Gabri, que sempre acompanhava nossos shows desde o começo, quando a gente tocava em churrascos só para brincadeira, ele estava lá, e daí o Noel saiu. O Gabri já estava começando a aprender bateria, então a gente chamou ele.

Wornunk: Nós sempre chamávamos gente para fazer uma participação nos shows, mas a base sempre foi essa mesmo: nós três.

H&A: E o novo guitarrista, quando e como foi que ele entrou?

Vazquez: Bom, na verdade, a gente estava numa outra banda, o Rouxinol, aí acabei conhecendo o Toguchi e o Gabri, que faziam parte do Rouxinol.

Wornunk: Era o Diones sem eu (risos).

Vazquez: É, mas o Rouxinol já era outro estilo, mais dançante. Depois, o Rouxinol foi acabando, porque tinha 8 integrantes no total, e não tinham tempo de ensaiar e tal, e acabei entrando no Diones para tocar no Festival do Chocolate (em 2009).

Toguchi: Eu chamei ele porque como éramos apenas três, o som sem uma guitarra base sempre ficava meio vazio na hora dos solos, então como íamos tocar no Festival do Chocolate, estava precisando.

Wornunk: Ele entrou por causa da base e também pela falta de ter outra pessoa, porque tem muita música que tem harmonia vocal, tipo Beatles, e eu sempre tinha que fazer sozinho, e sempre fez falta uma outra voz.

Vazquez: E o engraçado é que eu já era meio fã da banda, porque eu comecei a namorar a Ester, a vocal da Rouxinol, e ela falou "vem ver essa banda aqui de uns amigos meus", e eu adorei porque era bem o tipo de coisa que eu gosto, rock'n'roll assim.

H&A: Desde o começo, a proposta era para ser uma banda de classic rock?

Wornunk: Não, na verdade a gente tocava de tudo... Offspring, Red Hot, Legião Urbana... mas foi mais quando o Noel entrou, em 2005, que direcionou para esse estilo.

H&A: E em que ponto vocês começaram a levar a banda a sério?

Wornunk: Foi nessa fase mesmo, quando o Noel entrou.

H&A: E o nome Diones, de onde surgiu?

Todos: (risos).

Festival de Bandas de Paranapiacaba, em 2007
Festival de Bandas de Paranapiacaba, em 2007

Toguchi: "The Diones" engloba tantas coisas cara. Começou a partir de uma brincadeira do tipo "letra A, fala um nome de banda: Aerosmith. B: Beatles". Quando caiu no D, um camarada nosso, o Raul, falou "Dione Rivers". Aí alguem falou "Diones cara! Vamos botar o nome da banda de Diones."

Wornunk: A gente estava acostumado com o nome da banda que tínhamos, Arzak, que era a marca de um tênis de um amigo nosso.

Toguchi: É verdade, era Arzak antes, e daí eu comecei a pesquisar se tinha alguma coisa com Arzak e eu vi que era o nome de um cozinheiro muito famoso. Então pegamos o Diones, cara.

H&A: E esse Diones é para imitar a grafia de "The Johnnys"  ou "The John’s"?

Wornunk: É para ser Johnnys, só que escrito com D mesmo.

H&A: Se a banda tivesse outro nome, qual seria?

Toguchi: Ah, seria Arzak mesmo.

H&A: Só por causa do tênis, sem ter nenhum sentido ou relação com a banda?

Toguchi: É... nada tem sentido (risos).

H&A: Qual o show, dentre todos os que vocês fizeram, que mais empolgou a banda e de certa forma influenciou vocês?

Wornunk: Ah, a gente já tocou no Festival do Chocolate e tal, mas para mim – e acho que até para todos – o que mais curti foi na praça, porque é mais simples, você fica mais perto do público. No Festival, é aquele palco longe, não tem muito contato.

H&A: O pessoal coloca vocês para tocarem cedinho...

Nagayassu: É, um horário bom né...

Toguchi: Sempre para ajudar, né? Cortam o som também.

Wornunk: O que a gente mais curtiu também foi no Concurso de Bandas do ano passado (2008). Na final do concurso tinha muita gente, com torcida e tudo. E como eu falei, a gente já tocou em lugar grande, mas mesmo sendo mais simples, me divirto mais tocando na praça.

H&A: E qual o maior evento que vocês já participaram?

Wornunk: Ah, de evento assim foi o Festival do Chocolate ou o show em Santa Catarina. Esse show em Santa Catarina foi em frente à praia, e era uma espécie de festival também.

Toguchi: Foi a primeira vez – e última – que eu dei um autógrafo! (risos) Tinha um cara lá: "pô, me dá um autógrafo!" Antes de tocar, a gente foi mergulhar, e na hora que fomos tocar, um pessoalzinho que estava na frente falou que viu a gente nadando, cara!

H&A: E o show com o maior público?

Wornunk: Ah, foram esses daí mesmo... do Chocolate e o de Santa Catarina.

H&A: E qual a quantidade de gente no público, vocês têm idéia?

Toguchi: Cara, tinha uns quinze hein! (risos) Nem me lembro mais... não dá para contar.

Wornunk: Ah, na verdade, eu acho que o maior público foi na final do concurso de bandas (2008).

H&A: Teve algum show em que vocês tiveram que se virar, devido a algum imprevisto?

Toguchi: Ah, teve uma apresentação de escola em que a bateria estava toda zuada, toda enferrujada, sabe? Todos os pedestais tinham buracos. Nos pratos, não tinha a borrachinha que segura o prato, era um pedacinho de Scotch-Brite...

Wornunk: É, quando tocava parecia que a bateria estava desmanchando; batia e voava tudo! (risos)

Toguchi: Estava chovendo, e molhou o cubo do baixo... queimou o cubo cara!

Wornunk: Estourou corda de guitarra... primeiro a minha, depois a do Toguchi... tudo no mesmo dia. A gente pensou: "Está dando só desgraça! Vamos parar, né?" Quase não tinha ninguém lá, tinha chovido e tinham só umas 3 pessoas, mas o pessoal foi falando: "Ah, a gente veio aqui para ver. Toca mais um pouco aê!" Ficamos tocando mais uma meia hora, quando queimou o cubo do baixo.

Toguchi: Teve outra vez em que a gente foi tocar na Mansuetto, e quando chegamos lá e íamos passar a voz, cadê o pedestal do microfone? Estava sem o pedestal de microfone! E a gente não podia deixar de tocar, vieram pessoas para assistir a gente, tipo: "eu vim aqui e vou ver vocês tocarem!"

Wornunk: É, então a gente fez um show instrumental, improvisando uns blues, uns negócios assim... só improviso. E o engraçado da Mansuetto é que tinhamos que tocar umas 3 horas, e a gente não tinha repertório suficiente para isso, porque lá é só musica baixa, né...

Toguchi: Em compensação, no final, de tanto ensaiar música, a gente ficou com umas cento e poucas músicas no repertório.

V Festival do Chocolate, 2009
V Festival do Chocolate, 2009

Wornunk: É, mas no começo, quando a gente não tinha quase repertório, a gente inventava umas múusicas na hora. Tipo, a letra inventava na hora, e tudo sobre um tema, mas coisas bem rock'n'roll, tudo de improviso. Daí a gente reparava bem na cara de todo mundo que estava lá, e quando todo mundo que estava no começo saia, a gente começava a tocar as músicas do começo do show tudo de novo! (risos)

Toguchi: Agora, de praxe cara, em todo show acontece, é que eu fico doente. Acordo gripado.

Wornunk: É, toda vez que tem show ele acorda zuado, com a voz rouca.

Toguchi: O pior de todos foi na praia de Thaiti, que não conseguia sair a voz.

Wornunk: Teve uma vez que a gente ia tocar num casamento, ia tocar a noite inteira, e faltava só uma hora para gente ir tocar, e o Toguchi foi pegar um pedestal lá...

Toguchi: É, estava faltando um pedestal e eu falei "deixa que eu pego lá embaixo" e fui correndo buscar. Aí tinha uma CPU enferrujada, disquetão/disquetinho sabe? E estava largada lá junto com o pedestal. Então eu fui pegar, e assim que eu levantei para pegar o pedestal, ele puxou e caiu em cima do meu dedo! Bem na mão esquerda... aí eu senti, fui ver e estava sangrando com a unha da ponta do dedo aberta. Comecei a ficar nervoso e nervoso, e apaguei.

Wornunk: A hora do show estava chegando, e a gente dizendo "cadê o Toguchi?" Ele desmaiou!

Toguchi: Quando eu acordei, fui para o hospital, e fiquei com o dedo enfaixado... mas fiquei tocando. Mas tinha horas que a gaze abafava o som.

Wornunk: Só que estava marcado para a gente tocar umas 3 horas, mas tocamos só uns 40 minutos. Afinal, já estava marcado, né? Chegou uma hora em que o Toguchi começou a não sentir mais a mão, então pensamos: "melhor parar, caso você desmaie aí em cima, né?" (risos) Ah, história engraçada tem de monte, cara. Teve uma vez em que a gente estava tocando na praça durante a final de um campeonato, e o São Paulo ganhou. Saiu todo mundo para comemorar. Nós tocando, e todo mundo começa a subir em cima do palco, para gritar no microfone – invadiram o palco! A torcida inteira! Uns 50 caras em cima do palco. O pessoal subindo, e a gente não sabia o que fazia, então foi todo mundo para trás dos amplificadores. Estávamos tocando Sultans of Swing (Dire Straits), e foi engraçado: a gente tocando a base do Sultans e o pessoal gritando! (risos)

H&A: Que lugares vocês mais tocam? Vocês mencionaram a Pizzaria Mansuetto, a praça central... onde mais?

Toguchi: Ah, tocamos na Purple uma vez. No Casarão...

Wornunk: Mas agora é mais festival, mais show mesmo. Semana que vem a gente vai tocar na festa da Nossa Senhora Aparecida.

Toguchi: Na Mansuetto, a gente ficava direto das 7 às 11 da noite, sexta e sábado.

Nagayassu: Foi o lugar em que a gente mais aprendeu.

Wornunk: É, a gente aprendeu a controlar o volume, porque tinha que tocar baixo. Não podiamos tocar Beatles, que era muito alto. Só podiamos tocar umas músicas mais calminhas.

H&A: Mais calmas que Beatles?

V Festival do Chocolate, 2009
V Festival do Chocolate, 2009

Wornunk: É! Para voce ter uma ideia, Beatles já era muito alto para tocar lá. Tinhamos que tocar mais baladas. Estava baixo pra caramba. Achávamos que já estava mó baixo e quando chega a dona dizendo "está muito alto, vamos abaixar". A gente tocava num espaço assim, do tamanho de quase duas mesas, ficava todo mundo sem se mexer!

Toguchi: A batata da minha perna ficava no bumbo. Tudo apertado ali... mas foi gostoso cara.

Wornunk: O que a gente mais aprendeu foi lá.

H&A: Quais as influências da banda? Eu sei que são várias, mas qual a principal, o gosto em comum de todos?

Vazquez: Bom a minha, eu sou blueseiro, que eu gosto desde pequeno, ouvindo com meu pai, e Beatles.

H&A: Acho que Beatles é uma influência de todos não?

Todos: (repostas afirmativas)

Toguchi: Ah, e rock'n'roll, cara. Rock anos 50, 60 e 70. É o que bate forte. Não tem jeito, cara.

Wornunk: Cada um de nós vai mais para um lado, mas é bom que assim fica mais variado. O Toguchi curte mais um rock'n'rollzão, Chuck Berry, essas coisas, e eu curto mais umas bandas dos anos 60, umas bandas mais desconhecidas, e a gente faz uma mistura.

H&A: Vocês tem músicas próprias?

Toguchi: Temos algumas, mas não puxam muito para o rock'n'roll.

H&A: E vocês tocam elas nos shows?

Toguchi: Raramente. A gente tocou uma vez uma música própria na praça, só que não era rock'n'roll. Estamos tentando batalhar para fazer uma música própria de rock'n'roll.

H&A: Como assim? Por que é tão difícil?

Toguchi: Bem, quando dois caras escrevem a música, fica meio pop-rock, alguma coisa do tipo.

H&A: Qual a formação musical da banda, em geral?

Toguchi: Eu tive um estudo. Eu comecei na Minueto, que tinha aqui em Ribeirão, há muito tempo. Mas fui aprendendo sozinho.

Wornunk: É, eu também.

Toguchi: Eu me aperfeiçoei sozinho. Tem um cara aí de uma banda que na época eu curtia, e ele se chamava Márcio Augusto. Todo fim de semana eu ia ver ele tocar um som, e a gente se baseou até numas coisas dele. O legal desse Márcio é que um ajudou o outro numa certa época, uma vez ele ensinava um negócio para mim, ou eu perguntava para ele... enfim.

Nagayassu: Eu ainda faço aula, atualmente.

Wornunk: O Gabri é o único que estuda! (risos)

H&A: Vocês tem algum material gravado?

Toguchi: Só em vídeo mesmo.

Wornunk: E tem umas gravaçõezinhas feitas em casa de ensaios, mas é com uma qualidade só para a gente mesmo escutar.

H&A: Vocês planejam gravar?

Toguchi: Olha cara, eu sempre quis fazer isso...

Wornunk: E a gente tem a idéia de pegar umas músicas que já existem e dar uma modificada para ficar com a cara da banda. Mas, na verdade, a gente precisa fazer uma estruturação, começar a trabalhar mesmo em cima das músicas.


 
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